terça-feira, 31 de março de 2015

(Contos) Solidão

 Caminhando a esmo numa fria noite chuvosa...
 O horizonte era coberto pelas gotas como uma camada de vidro, aquele cheiro suave me trazia memórias inexistentes, mas que apaziguavam minha tão confusa alma. O barulho das gotas que beijavam as folhas das árvores pareciam sussurrar palavras de consolo para esse espírito tão ferido.
 O vento envolvia-me com seus braços frios como gelo, minhas lágrimas eram fundidas com as gotas daquela chuva tão melancólica.
 Acabara de perder a pessoa mais importante pra mim, a qual levou consigo toda minha vida e alegria.
Hei de ter coragem para seguir vivendo, mesmo com essas memórias que irão me atormentar. O tempo é fugaz, não sabemos o dia de amanhã, não sabemos o que acontecerá nos próximos minutos. Tudo tão de repente.
Entre tantas discussões e desavenças, recebi a notícia que jamais esperava. Se eu soubesse... Ah, se eu soubesse. Ao invés de discussões, diria todos os dias como a amava. Demonstraria o quanto pudesse meu carinho, faria de tudo para fazê-la feliz. 
 Sei que não pertenço a essa época, a esse mundo, mas logo minha hora vai chegar, tenho algum objetivo a cumprir. Viverei o máximo que puder, na hora certa nos encontraremos. 
 Por vezes posso ouvir sua voz me chamando, sinto seu cheiro. Como a presença ou memórias que saltam de minha mente.
 Os grilhões da melancolia me aprisionam, e a morte tão furtivamente chegou como o mais perverso ladrão e a levou de mim.
 Qual será meu destino a partir de agora? Para todos os caminhos que vejo, há uma lâmina pronta para ferir-me em algum lugar.
 A vida em si é passageira e curta, mas por que a sua tão curta? 
 O tempo nos devora, a vida é traiçoeira, vivemos em um labirinto que nos conduz ao mesmo ponto, porém há diversos caminhos e dificuldades.


      





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