Havíamos acabado de nos mudar para a nova casa. Era grande e antiga, muito bonita até.
Até à noite não tivemos problema algum, estava tudo extremamente tranquilo, porém no meio da noite acordei aos gritos da minha mãe. Brigava comigo e dizia que não a deixava dormir. Apenas ignorei, pensei que pudesse estar falando dormindo como não é muito raro acontecer.
Porém, no dia seguinte ela de fato veio tirar satisfações comigo. Estava claramente irritada, e eu sem entender nada, pois não havia saído da sala, onde dormi essa noite por conta que ainda não havíamos comprado a cama para mim.
Mesmo confusa, ignorei a situação, cri que tivera apenas um sonho e insistia que fora real.
Porém na noite seguinte os fatos se agravaram um pouco.
Eu escutei barulhos vindos do quarto dela, como passos, e ela novamente irritada, nervosa.
Em meio a isso, vi um vulto passar rapidamente por mim, saindo do quarto de minha mãe.
Me assustei um pouco no momento, mas como não vi mais nada, tentei voltar a dormir, quando algo me chamou, cutucando meu ombro. Fiquei aterrorizada quando me virei, soltando um grito que não sei como tive voz para tal.
Era "eu". Aquilo tinha meu rosto, minha face. Em questão de segundos aquilo foi tomando sua verdadeira forma, do rosto parecia escorrer um líquido negro, encobrindo-o quase completamente. A criatura saltou sobre mim, sufocando-me.
Logo minha mãe veio ver o que acontecia, apenas escutava seus passos e sua voz. Eu estava perdendo os sentidos, debilitada. Aquilo estava sugando minha energia.
Não havia luz, a energia fora cortada por um momento. Não sei exatamente qual foi a reação de minha mãe, pois a criatura estava tomando conta de toda minha visão, mas imagino que estava igualmente assustada.
É o único que me recordo desses fatos. No dia seguinte despertei no hospital com minha mãe ao meu lado. Não sabíamos o que era aquilo, e não voltaríamos para aquela casa.
quarta-feira, 1 de abril de 2015
Ausência da alma
Muitos não querem amigos, desejam sequazes. Querem o epíteto de "Rei da verdade" quando na realidade são apenas seres desprovidos de uma alma.
Chamá-los de tolos seria um elogio. Diria os ignóbeis da sociedade, entrei tais as tarântulas prontas para injetar seu veneno nos que se aproximam.
O homem cada vez mais avança na tecnologia, pois ele próprio está tornando-se uma máquina. Um dândi cujo olhar não esconde a malícia e futileza abrangidas dentro de um só ser.
Exteriormente possuem boa aparência, mas a alma encontra-se em frangalhos.
Cada vez mais nota-se o avanço da tecnologia e a decadência da raça humana. Os inteligentes podem encontrá-los facilmente, os sábios, raramente.
A inteligência é mais fácil de se obter do que a sabedoria, pois necessita de uma boa mente, enquanto que a sabedoria vem de experiências e observações.
Não deixam de ser ignorantes aqueles que possuem apenas a inteligência a seu favor mas não buscam outros conhecimentos, que vivem de forma leviana e esquecem o essencial do ser humano.
Todos nascem com a bondade dentro de si, mas a mesma é enterrada nos recônditos da alma pela sociedade.
São os de caráter fraco. Quem se deixa influenciar por prazeres momentâneos, é como quem come frutos sem semear novas sementes.
O prazer acaba, a vida passa e o tempo nos devora.
Devemos cumprir o dever básico de todo ser humano: Conhecer. Não apenas com a mente, mas com a alma.
Não é um problema que as pessoas sejam inteligentes; muito pelo contrário. O grande problema é quando esta substitui o caráter e a essência.
Chamá-los de tolos seria um elogio. Diria os ignóbeis da sociedade, entrei tais as tarântulas prontas para injetar seu veneno nos que se aproximam.
O homem cada vez mais avança na tecnologia, pois ele próprio está tornando-se uma máquina. Um dândi cujo olhar não esconde a malícia e futileza abrangidas dentro de um só ser.
Exteriormente possuem boa aparência, mas a alma encontra-se em frangalhos.
Cada vez mais nota-se o avanço da tecnologia e a decadência da raça humana. Os inteligentes podem encontrá-los facilmente, os sábios, raramente.
A inteligência é mais fácil de se obter do que a sabedoria, pois necessita de uma boa mente, enquanto que a sabedoria vem de experiências e observações.
Não deixam de ser ignorantes aqueles que possuem apenas a inteligência a seu favor mas não buscam outros conhecimentos, que vivem de forma leviana e esquecem o essencial do ser humano.
Todos nascem com a bondade dentro de si, mas a mesma é enterrada nos recônditos da alma pela sociedade.
São os de caráter fraco. Quem se deixa influenciar por prazeres momentâneos, é como quem come frutos sem semear novas sementes.
O prazer acaba, a vida passa e o tempo nos devora.
Devemos cumprir o dever básico de todo ser humano: Conhecer. Não apenas com a mente, mas com a alma.
Não é um problema que as pessoas sejam inteligentes; muito pelo contrário. O grande problema é quando esta substitui o caráter e a essência.
O tempo
E se pudéssemos voltar no tempo ... Quantas coisas seriam feitas e desfeitas, repetidas? O tempo não para, não retorna ou acelera, e nós somos apenas seres que passam por ele, sofrendo seus efeitos.
O que é 80 anos em meio a milhões? O que é um grão de areia em um deserto? Somos apenas gotas d'agua em um mar turvo com momentos de calmaria. Quem nunca quis caminhar na terra, sentir um solo debaixo dos pés, ter segurança? Segurança, apenas algo inventado por nós. Mesmo o mais seguro corre perigo, mesmo o mais forte pode se romper. Não há certezas, a vida é composta por mistérios, os quais temos ânsia por descobrir.
Entendimento, conhecimento, experiência, quando encontrados, escorrem como algo melífluo por nossa alma, perenes, intocáveis. Pequenos e eternos caminhantes, alguns buscam direções, outros vão a esmo.. Entre sombras e escombros, há muito interesse pela luz e pouca valorização da mesma.
O que é 80 anos em meio a milhões? O que é um grão de areia em um deserto? Somos apenas gotas d'agua em um mar turvo com momentos de calmaria. Quem nunca quis caminhar na terra, sentir um solo debaixo dos pés, ter segurança? Segurança, apenas algo inventado por nós. Mesmo o mais seguro corre perigo, mesmo o mais forte pode se romper. Não há certezas, a vida é composta por mistérios, os quais temos ânsia por descobrir.
Entendimento, conhecimento, experiência, quando encontrados, escorrem como algo melífluo por nossa alma, perenes, intocáveis. Pequenos e eternos caminhantes, alguns buscam direções, outros vão a esmo.. Entre sombras e escombros, há muito interesse pela luz e pouca valorização da mesma.
A robotização humana
O que é alguém sem sua alma e coração? É essa perfeita união que torna uma pessoa grande.
De nada vale a inteligência sem a sabedoria, de nada vale a riqueza se o fulgor de dentro inexiste.
Muitos vivem como robôs, com boa memória e inteligência, cumprem suas ordens, mas quando alguém questionou sobre si mesmo? Sobre o mundo que vive?
Nasce da robotização humana os mentecaptos, os quais são cegos para o mundo.
Muito fácil seria alapardar-se em um canto qualquer e ali renunciar ao uso da razão.
Ouro e riqueza, não são capazes de enriquecer alguém pobre de alma.
Onde estão os espíritos intrépidos? As grandes almas para entregar-se à sabedoria e o conhecimento da vida.
terça-feira, 31 de março de 2015
(Contos) A estranha
Durante um passeio em família, eu, minha mãe, minha vó e minha tia, paramos em um estacionamento qualquer para comer um lanche que havíamos acabado de comprar.
Era um início de noite, entre 18 e 19h, quando uma mulher de estatura baixa e cabelos curtos e cacheados, trajando uma justa blusa vermelha, se aproxima da janela da parte de trás, onde eu estava com minha tia.
A mulher simulou uma arma com as mãos e apontou para minha tia, exigindo um cartão de crédito ou débito e nada mais. Com medo de que houvesse comparsas ao redor, ou que ela tivesse alguma arma escondida, minha mãe cedeu. Logo a mulher exigiu que a levássemos em algum lugar.
Parecia nervosa, ansiosa. Nos conduziu até um local no meio do nada, como uma fazenda, repleto de matos e árvores. Havia uma casa bem grande, parecia uma mansão.
Descemos do carro e fomos convidadas para entrar, com o pânico estampado em nossos rostos.
Na área da casa havia uma pia dupla, uma mesa grande e uma panela. Assemelhava-se à uma sala de jantar ou à um refeitório ao ar livre, com pisos brancos como a neve.
A mulher com um leve sorriso no rosto disse:
-Fui eu quem limpou tudo isso, estava muito sujo
Minha mãe, tentando parecer simpática, replicou:
-Nossa, deve ter dado muito trabalho. É bem grande aqui.
Quando entramos na casa, me surpreendi. Parecia um lugar luxuoso, bem iluminado e de cores claras.
Ela começou a nos apresentar cada cômodo de sua casa de dois andares. Porém deu atenção especial à um pequeno quarto de menino.
-Esse é o quarto do meu filho. -Disse a mulher.
Era o menor cômodo, porém o mais bem cuidado e arrumado. Fiquei me perguntando onde estaria seu filho e a que horas apareceria, o que me deixou um pouco mais tensa.
A tal mulher conversava conosco como se fôssemos grandes amigas, inclusive insistiu para que jantássemos com ela. Não parecia que acabara de nos furtar. Aliás, o que me incomodou no meio de todo aquele luxo foi pensar sobre isso. Eram frutos de roubos anteriores.
Finalmente ela nos serviu, arroz e carne com batata e, devo admitir que cozinhava extremamente bem!
Após a refeição, começou a falar sobre o lugar.
-Aqui, há algum tempo atrás foi um hospital, onde perdi meu bebê. Era um menino... Um lindo menino. Criei um ódio inexplicável daqui, mas ao mesmo tempo é o único lugar que faz-me sentir próxima dele.
Ficamos todas em silêncio. Comecei a pensar o que fizera com que o deixara de ser, e logo entendi também que aquele quarto fora feito para seu falecido menino. Fui conduzida novamente ao quarto de seu filho. Ela me mostrava cada detalhe. Era realmente cuidadosa, porém claramente com problemas psicológicos.
Ficamos lá até o amanhecer, e finalmente nos despedimos.
Ela acenava e sorria como se tivéssemos uma grande proximidade.
-Tchau, se cuidem no caminho. Por favor, voltem sempre. Sempre serão recebidas de braços abertos.
Nenhuma de nós se atreveu a perguntar seu nome, e ela tampouco nos disse.
Até hoje não sei quem era essa mulher, nunca mais a vi novamente, e espero não ver.
Era um início de noite, entre 18 e 19h, quando uma mulher de estatura baixa e cabelos curtos e cacheados, trajando uma justa blusa vermelha, se aproxima da janela da parte de trás, onde eu estava com minha tia.
A mulher simulou uma arma com as mãos e apontou para minha tia, exigindo um cartão de crédito ou débito e nada mais. Com medo de que houvesse comparsas ao redor, ou que ela tivesse alguma arma escondida, minha mãe cedeu. Logo a mulher exigiu que a levássemos em algum lugar.
Parecia nervosa, ansiosa. Nos conduziu até um local no meio do nada, como uma fazenda, repleto de matos e árvores. Havia uma casa bem grande, parecia uma mansão.
Descemos do carro e fomos convidadas para entrar, com o pânico estampado em nossos rostos.
Na área da casa havia uma pia dupla, uma mesa grande e uma panela. Assemelhava-se à uma sala de jantar ou à um refeitório ao ar livre, com pisos brancos como a neve.
A mulher com um leve sorriso no rosto disse:
-Fui eu quem limpou tudo isso, estava muito sujo
Minha mãe, tentando parecer simpática, replicou:
-Nossa, deve ter dado muito trabalho. É bem grande aqui.
Quando entramos na casa, me surpreendi. Parecia um lugar luxuoso, bem iluminado e de cores claras.
Ela começou a nos apresentar cada cômodo de sua casa de dois andares. Porém deu atenção especial à um pequeno quarto de menino.
-Esse é o quarto do meu filho. -Disse a mulher.
Era o menor cômodo, porém o mais bem cuidado e arrumado. Fiquei me perguntando onde estaria seu filho e a que horas apareceria, o que me deixou um pouco mais tensa.
A tal mulher conversava conosco como se fôssemos grandes amigas, inclusive insistiu para que jantássemos com ela. Não parecia que acabara de nos furtar. Aliás, o que me incomodou no meio de todo aquele luxo foi pensar sobre isso. Eram frutos de roubos anteriores.
Finalmente ela nos serviu, arroz e carne com batata e, devo admitir que cozinhava extremamente bem!
Após a refeição, começou a falar sobre o lugar.
-Aqui, há algum tempo atrás foi um hospital, onde perdi meu bebê. Era um menino... Um lindo menino. Criei um ódio inexplicável daqui, mas ao mesmo tempo é o único lugar que faz-me sentir próxima dele.
Ficamos todas em silêncio. Comecei a pensar o que fizera com que o deixara de ser, e logo entendi também que aquele quarto fora feito para seu falecido menino. Fui conduzida novamente ao quarto de seu filho. Ela me mostrava cada detalhe. Era realmente cuidadosa, porém claramente com problemas psicológicos.
Ficamos lá até o amanhecer, e finalmente nos despedimos.
Ela acenava e sorria como se tivéssemos uma grande proximidade.
-Tchau, se cuidem no caminho. Por favor, voltem sempre. Sempre serão recebidas de braços abertos.
Nenhuma de nós se atreveu a perguntar seu nome, e ela tampouco nos disse.
Até hoje não sei quem era essa mulher, nunca mais a vi novamente, e espero não ver.
(Contos) Solidão
Caminhando a esmo numa fria noite chuvosa...
O horizonte era coberto pelas gotas como uma camada de vidro, aquele cheiro suave me trazia memórias inexistentes, mas que apaziguavam minha tão confusa alma. O barulho das gotas que beijavam as folhas das árvores pareciam sussurrar palavras de consolo para esse espírito tão ferido.
O vento envolvia-me com seus braços frios como gelo, minhas lágrimas eram fundidas com as gotas daquela chuva tão melancólica.
Acabara de perder a pessoa mais importante pra mim, a qual levou consigo toda minha vida e alegria.
Hei de ter coragem para seguir vivendo, mesmo com essas memórias que irão me atormentar. O tempo é fugaz, não sabemos o dia de amanhã, não sabemos o que acontecerá nos próximos minutos. Tudo tão de repente.
Entre tantas discussões e desavenças, recebi a notícia que jamais esperava. Se eu soubesse... Ah, se eu soubesse. Ao invés de discussões, diria todos os dias como a amava. Demonstraria o quanto pudesse meu carinho, faria de tudo para fazê-la feliz.
Sei que não pertenço a essa época, a esse mundo, mas logo minha hora vai chegar, tenho algum objetivo a cumprir. Viverei o máximo que puder, na hora certa nos encontraremos.
Por vezes posso ouvir sua voz me chamando, sinto seu cheiro. Como a presença ou memórias que saltam de minha mente.
Os grilhões da melancolia me aprisionam, e a morte tão furtivamente chegou como o mais perverso ladrão e a levou de mim.
Qual será meu destino a partir de agora? Para todos os caminhos que vejo, há uma lâmina pronta para ferir-me em algum lugar.
A vida em si é passageira e curta, mas por que a sua tão curta?
O tempo nos devora, a vida é traiçoeira, vivemos em um labirinto que nos conduz ao mesmo ponto, porém há diversos caminhos e dificuldades.
O horizonte era coberto pelas gotas como uma camada de vidro, aquele cheiro suave me trazia memórias inexistentes, mas que apaziguavam minha tão confusa alma. O barulho das gotas que beijavam as folhas das árvores pareciam sussurrar palavras de consolo para esse espírito tão ferido.
O vento envolvia-me com seus braços frios como gelo, minhas lágrimas eram fundidas com as gotas daquela chuva tão melancólica.
Acabara de perder a pessoa mais importante pra mim, a qual levou consigo toda minha vida e alegria.
Hei de ter coragem para seguir vivendo, mesmo com essas memórias que irão me atormentar. O tempo é fugaz, não sabemos o dia de amanhã, não sabemos o que acontecerá nos próximos minutos. Tudo tão de repente.
Entre tantas discussões e desavenças, recebi a notícia que jamais esperava. Se eu soubesse... Ah, se eu soubesse. Ao invés de discussões, diria todos os dias como a amava. Demonstraria o quanto pudesse meu carinho, faria de tudo para fazê-la feliz.
Sei que não pertenço a essa época, a esse mundo, mas logo minha hora vai chegar, tenho algum objetivo a cumprir. Viverei o máximo que puder, na hora certa nos encontraremos.
Por vezes posso ouvir sua voz me chamando, sinto seu cheiro. Como a presença ou memórias que saltam de minha mente.
Os grilhões da melancolia me aprisionam, e a morte tão furtivamente chegou como o mais perverso ladrão e a levou de mim.
Qual será meu destino a partir de agora? Para todos os caminhos que vejo, há uma lâmina pronta para ferir-me em algum lugar.
A vida em si é passageira e curta, mas por que a sua tão curta?
O tempo nos devora, a vida é traiçoeira, vivemos em um labirinto que nos conduz ao mesmo ponto, porém há diversos caminhos e dificuldades.
segunda-feira, 30 de março de 2015
(Contos) O intruso
Era uma noite comum como as outras, fria e com o céu coberto pelas nuvens como se fossem um manto da mais pura seda.
Já passava das 23h, portanto minha mãe entrou em nossa simples casa, e logo eu a segui. Parei por um instante em uma pequena sala que havia, como uma espécie de corredor, e fiquei a observar um velho retrato de meu pai. Diversos pensamentos passavam por minha mente. O que teria acontecido? Onde estava? Aquele garoto ao seu lado seria meu irmão? Minha memória estava turva por acontecimentos passados.
Logo adentrei o local, mas antes que pudesse fechar a porta, escutei passos. Passos discretos, porém pesados. O tempo permitiu-me apenas esconder-me brevemente atrás da porta da sala que estava entreaberta.
Logo pude ver sua silhueta. Era um homem de estatura média, porém robusto. Carregava o que parecia ser uma espingarda, o que veio a confirmar-se mais tarde.
Ele chamava em tom de ironia e ameaça:
-Catarina. Onde está você Catarina?
Entendi que era minha mãe, mas algo em minha mente ainda não compreendia. Minha mãe não se chamava Catarina, e sim Laila. Mas no fundo eu sabia, sabia que algo já ocorrera ali num passado distante, nossa história estava se repetindo como um flash em tempo real. Eu sabia o objetivo desse homem, sabia quem era a tal Catarina a quem se referia.
Não tardou a encontrar-me, segurando-me pela gola da camiseta que eu trajava. Tinha uma força bruta.
-Catarina, já encontrei sua filha, Catarina. Só falta você. Eu vou encontrá-la.
A voz desse homem era perturbadora, mais que o normal em uma situação dessa. Eu sabia que queria enterrar-nos vivas, apesar da espingarda que carregava consigo.
Minha vista escureceu ao eco de sua voz que ainda me atormenta, senti meu corpo pesado, não me recordo de nada mais.
Já passava das 23h, portanto minha mãe entrou em nossa simples casa, e logo eu a segui. Parei por um instante em uma pequena sala que havia, como uma espécie de corredor, e fiquei a observar um velho retrato de meu pai. Diversos pensamentos passavam por minha mente. O que teria acontecido? Onde estava? Aquele garoto ao seu lado seria meu irmão? Minha memória estava turva por acontecimentos passados.
Logo adentrei o local, mas antes que pudesse fechar a porta, escutei passos. Passos discretos, porém pesados. O tempo permitiu-me apenas esconder-me brevemente atrás da porta da sala que estava entreaberta.
Logo pude ver sua silhueta. Era um homem de estatura média, porém robusto. Carregava o que parecia ser uma espingarda, o que veio a confirmar-se mais tarde.
Ele chamava em tom de ironia e ameaça:
-Catarina. Onde está você Catarina?
Entendi que era minha mãe, mas algo em minha mente ainda não compreendia. Minha mãe não se chamava Catarina, e sim Laila. Mas no fundo eu sabia, sabia que algo já ocorrera ali num passado distante, nossa história estava se repetindo como um flash em tempo real. Eu sabia o objetivo desse homem, sabia quem era a tal Catarina a quem se referia.
Não tardou a encontrar-me, segurando-me pela gola da camiseta que eu trajava. Tinha uma força bruta.
-Catarina, já encontrei sua filha, Catarina. Só falta você. Eu vou encontrá-la.
A voz desse homem era perturbadora, mais que o normal em uma situação dessa. Eu sabia que queria enterrar-nos vivas, apesar da espingarda que carregava consigo.
Minha vista escureceu ao eco de sua voz que ainda me atormenta, senti meu corpo pesado, não me recordo de nada mais.
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